“Sonhar é de graça. Sonhar é melhor do que nada”, pensou. É bem verdade que muitos sonhos são perversos, e os maiores são os piores. Machucam, magoam, ferem. “Ah, mas é tão bom…”(Trecho do conto Presente de Natal, do livro Cenas urbanas)“Eu podia chorar ou me calar. Podia sofrer e dormir a vida inteira, que essa verdade implacável não mudaria. Minha família havia ficado para trás, e comigo só restariam as lembranças, boas lembranças. Feliz ou infelizmente, nada dura para sempre, e a gente precisa mudar. É difícil, mas necessário.”

(Trecho de Carolina e a ostra)

“Eles não tinham muita coisa, mas sabe que aquele amor encheu a noite de Natal deles de alegria e felicidade? É, aquela alegria e felicidade que encontramos simplesmente por estarmos juntos de quem amamos que nem se sente a falta de presentes.”(trecho de Memórias de uma bola de Natal)“Agente não sobrevive porque quer. Pretensão acreditar-se nisso. A gente sobrevive e continua insistindo com a vida para alguém ou para alguma coisa. Quando isso deixa de existir, de ser importante, viver ou morrer tanto faz, a vida não atrai, a existência perde seus encantos.”

(trecho de Longas cartas para ninguém)

“Na noite da Lua Melancólica, o uivo ecoou solitariamente. Angustiado, morreu na escuridão da floresta, em meio aos ruídos daquela multidão invisível que nos espreitava de seu esconderijo.
Toda a floresta parecia esperar que eu matasse Saguairu.”(trecho de Saguairu)“Quando a solidão apertava e ela se sentia pouco à vontade com a própria vida, pelo menos com aquela que vivia mais recentemente, Letícia gostava de procurar-se em velhas fotos, lembranças mais antigas. Um jeito um pouco amargo de dizer que sentia saudades, uma grande falta daqueles tempos.”

(trecho de Coisas da vida)

“Na escuridão é ruim, é bem ruim. É por isso que eu gosto da luz do dia. Estar só na escuridão é ruim. Faz a gente lembrar que está só no mundo.”(trecho de Crianças na escuridão)“Vida é pra viver. Algumas vezes a gente esquece certas coisas depressa demais. Começa a querer encaixar todas as vidas à nossa volta no mesmo pacote ou no mesmo escaninho em que colocamos a nossa, comportada e confortavelmente, esquecidos de que até mesmo a nossa vida não está inteiramente sob nosso controle.”

(trecho de O blog da Marina)

“Acho mesmo que o problema deixa de ser problema quando começamos a gostar de nós, como Vânia gosta de si mesma antes de gostar dos outros. Ele deixa de existir quando a gente se sente bem sendo única e tão-somente o que é.
Pretinha, eu?
Não tô nem aí!”

(trecho de Pretinha, eu?)

“A felicidade não está no tempo em que a vivemos, mas no que fazemos com o pouco tempo que temos para aproveitá-la. Eu não vou abdicar dessa possibilidade por nada deste mundo.
Vou curtir meu filho. Namorar o homem que amo. Viver com as pessoas que gostam de mim.
Afinal de contas, isso é a vida ou não é?”

(trecho de Um sonho dentro de mim)

“Além do muro, claro, havia perigos. Uma bolada me derrubou da cadeira. Roubaram minha pipa, quando eu voltava para casa. Peguei um resfriado depois de passar o dia inteiro desenhando debaixo de um guarda-chuva que o vento levou. Atravessar ruas é um verdadeiro inferno. Subir calçadas também. Mas ninguém me disse que seria fácil, e me recuso a viver à mercê das facilidades e das comodidades de meu quarto ou de minha casa. A liberdade, mesmo que sob certas condições, é doce demais para ser ignorada. A vida é um eterno desafio e não teria graça se fosse de outro jeito.”

(trecho de O muro)

“… Preconceito também é achar que bom é aquilo que as pessoas dizem que é bom e não o que nós achamos que é. Preconceito é acreditar que somos o que as pessoas dizem da gente ou pra gente. Preconceito é assim: eu digo pra você e você diz pra mim. É aquela coisa que eu penso e você acaba acreditando que é verdade. Conta pra outro, que conta pra outro, e logo aquela é uma grande verdade, pois já não pertence a mim, mas a todo mundo…”

(trecho de Felicidade não tem cor)

“puxa, filho, você não sabe como isso é importante para mim neste momento em que quase sempre estou só no mundo com meus problemas.
Nem sei o que dizer.
Você é o sol do grande outono em que me encontro, trazendo o dourado para as folhas mortas que caem dos longos galhos nus das árvores silenciosas dos bosques cheios de indiferença que atravesso com todos os meus pensamentos tristes e desamparados, sempre iluminando novos caminhos para mim. Você pode ser visto em todas as estrelas em que procuro Deus com uma prece angustiada. Você é a esperança muda que encontro, coloco e vejo dentro de mim como uma resposta do mesmo Deus, e a grande justificativa para continuar acreditando que conseguirei um emprego.
A vida não tem respostas fáceis. Tem até momentos bem difíceis. Mas nela sempre há uma ilha, um refúgio, uma brisa em que se agarrar para continuar sobrevivendo às ondas desse mar escuro, incerto e traiçoeiro.
Seu sorriso é um refúgio, meu filho.
Minha dor não é maior do que a sua felicidade sincera ao me ver mais em casa, mesmo eu estando desempregado.
Você me faz acreditar que tudo isso é passageiro.
Minha estrela.
Minha estrada.
Minha fé.
Meu filho.

(trecho de A voz de quem te ama)

“Ficaram as lembranças. Ficam sempre. eu prefiro as boas porque elas falam de momentos felizes, e a felicidade tem essa capacidade meio mágica de, mais cedo ou mais tarde, fazer com que esqueçamos a sobrevivamos a todos os males. Nelas, eu sei, não resta nenhuma dúvida acerca disso, encontrarei sempre Maurício sorrindo.
É assim que eu quero me lembrar dele.”(trecho de Devo chorar, Maurício?)